AUSÊNCIA
O que é essa ausência que dilacera a calma,
um vestígio etéreo que devora a alma?
Foi presença fugaz, lampejo evanescente,
qual névoa que toca e se esvai lentamente.
Instantes dispersos, memórias ao léu,
miragens que dançam no manto do céu.
Submersa em silêncio, me deixo arrastar,
nas águas profundas do tempo e do mar.
É a dor de quem toca o divino e o perde,
fulgor que se acende, mas nunca se cede.
Anseio por mais que fragmentos no vento,
por tudo o que é pleno, por cada momento.
Será que me iludo, que sonho demais?
Ou sou condenada a buscar sempre mais?
Perdida em abismos de ânsia infinita,
sou só uma alma, errante, proscrita.
Ou talvez renasça na brisa tardia,
num sopro suave de pura harmonia.
Se a ausência consome, também recria,
sou voz e aurora na eterna poesia.
Tatiana Pereira Tonet
Enviado por Tatiana Pereira Tonet em 14/02/2025
Alterado em 15/02/2025
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