AFETOS IMAGINÁRIOS
Quem somos nós num mundo carente,
de afetos urgentes, de dor latente?
Vagamos famintos de abraços e fé,
em mares de ausência, sem porto, sem pé.
Cadê a paixão que me vire do avesso,
me arranque do tédio, me tire do eixo?
Quero chorar sem ter um motivo,
sentir o ciúme mais leve e nocivo —
do que nem existe, mas eu inventei,
só pra sentir que por dentro amei.
Quero o desejo que explode sem pressa,
o sentimento de posse que acalma e atravessa,
o brilho nos olhos por um simples olhar,
a paz de saber que ele está a respirar.
Quem somos nós neste mar de estranhos,
senão cicatrizes com sonhos tamanhos?
Corações nus, desejos à flor,
pedindo socorro, implorando amor.
Cadê você, meu possível amor inexistente,
figura que invento pra tornar tudo mais suportável?
Te espero em silêncio, te busco em vão,
em cada batida, em cada ilusão.
E seguimos, entre tantos e sós,
tentando entender quem somos nós —
anseios pulsando num peito discreto,
em busca de um sonho que talvez seja afeto.
Tatiana Pereira Tonet
Enviado por Tatiana Pereira Tonet em 31/03/2025
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